Mercado de trabalho X Crise financeira

Pessoas que descobriram recentemente o mercado de tecnologia costumam perguntar como podemos ver a crise mundial e para onde imagino que vá o mundo dos empregos, considerando a posição do Brasil na crise global.
Bom, primeiramente é importante que procuremos analisar a posição do nosso país na grande crise, seguindo a avaliação de analistas de mercado, sociólogos, economistas e empresários. A bolha vem estourando já há algum tempo - coisa de um ano, mais ou menos - nos países desenvolvidos, como o Japão, e os problemas estão sendo sentidos mais fortemente agora porque o efeito cascata se intensificou. Este nosso Brasil - um país riquíssimo em recursos naturais, e onde os bancos acumulam fortunas há muito tempo - vem ajustando seus indicadores nos últimos anos com forte ajuste financeiro e bons fundamentos de controle de mercado e estamos em rota de crescimento, que poderá até ser menor do que o esperado, mas que certamente continuará nos próximos meses e anos. Não é um mar de rosas, e também vamos sentir a crise em algum momento, mas a lógica dos mercados ensina que sentiremos bem menos, porque o grosso da população não vinha surfando na crista de onda, onde um paraíso podia ser vivido todos os dias pelos endinheirados, fazendo uso do dinheiro virtual que os cartões de crédito oferecem. Somos um país em desenvolvimento, com uma população humilde, trabalhadora, honesta e ciente dos seus limites de compra (base da pirâmide). A base da nossa pirâmide não gosta, e nunca pôde "dar passos maiores que as pernas". Ironicamente, está sendo esta forma de viver que mantém as pessoas longe de "problemas" financeiros.
Com relação ao mercado de trabalho, a avaliação que se pode fazer hoje é que o grande número de demissões que ocorrem são mais uma forma de as empresas se anteciparem a problemas futuros do que uma explosão de problemas atuais. A percepção que se tem é que os empregos não estão sumindo, mas que há uma estratégia de troca de posições no mercado de trabalho. Esta semana, coincidentemente, em um grande jornal de circulação nacional, estava aberto um debate - com mestres e doutores em mercado - em torno da troca de posições de trabalho por terceirizados. Então, havemos de supor que as demissões seriam, na realidade, uma forma de as empresas se livrarem de encargos, num primeiro momento, para em seguida recontratar os serviços de profissionais com as mesmas especializações através de terceirizados. Se esta for a realidade então o calcanhar de Aquiles passará a ser a qualidade dos serviços prestados, já que este modelo de atuação no mercado de serviço vinha migrando para o que hoje conhecemos.
Outra questão é quanto aos cursos que estariam em alta na conjuntura atual. Falando apenas de tecnologia, poderíamos dizer que todos estão em alta e que permanecerão assim ainda por muito tempo, dada a carência de profissionais qualificados em nosso país, para tocar toda a reforma estrutural que nos levará ao primeiro mundo. Observe em seu bairro e terá um retrato de muitas cidades. Verá que a informatização ainda não chegou às pequenas empresas que servem seu bairro e bairros vizinhos e que poucos dos seus amigos possuem um computador com acesso à internet sendo utilizado em sua plenitude. A certeza é que os cursos de qualificação para profissionais de todos os ramos são uma das poucas saídas, objetivas e claras, para minimizar os efeitos danosos desta crise global que ainda deve piorar bastante antes de começar a melhorar a situação dos mercados financeiros. Um profissional qualificado, e portanto, com uma carga substâncial de capital intelectual, será um dos poucos profissionais que poderá escolher os rumos a seguir este ano, principalmente. Primeiro, se a qualificação visa empregos nos grandes centros, então o profissional deve mirar as vagas que surgem todos os dias na iniciativa pública, em orgãos dos governos federal, estadual e municipal. As chances de ser aprovado em um concurso seguem mais a lógica e são menos desgastantes que a disputa pelas poucas vagas que existem na iniciativa privada, onde o funil é bem estreito e a concorrência selvagem. O outro caminho seria se qualificar nos cursos oferecidos nos grandes centros e migrar para cidades no interior do pais. Há centenas de cidades com até cem mil habitantes vivendo totalmente às escuras em termos tecnológicos; onde faltam profissionais para todo tipo de serviço, desde a montagem e manutenção de computadores até o desenvolvimento e implantação de sistemas, passando pela instalação e configuração de redes de voz e dados. Também faltam profissionais para ensinar a população a fazer uso correto do volume insano de tecnologia que é despejado diariamente na grande rede mundial.
Para finalizar, é necessário que analisemos, juntos, o que exatamente uma pessoa deve ter para ingressar, se manter ou decolar no mundo da tecnologia. Um profissional que deseja viver de tecnologia precisa de muita determinação, aprender a aprender, ser insaciável por novas experiências e aliar a tudo isso o conhecimento profundo sobre o ser humano. Este conhecimento é essencial, considerando que em sua interação com a máquina os usuários costumam experimentar todo tipo de emoções, como medo, alegria, ansiedade, desespero e encantamento. Estas e muitas outras formas de emoção são fruto da dependência que experimentamos após o contato com as maravilhas que um computador e o acesso à internet nos oferecem. Esta dependência geralmente se torna crítica porque o que era lazer uma hora se tornará também obrigação e o tempo, inexoravelmente, diminui de acordo com estas mesmas obrigações.

Conhecimento é poder! Informação é poder! Conhecimento e informação libertam!

Luiz Loiola

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