Refletindo sobre tragédias humanas

Nasci em meio às incertezas da ditadura militar, vivi os beatles e parte da revolução sexual da década de 70, aproveitei cada dia da década musicalmente romântica e politicamente burbulhante dos anos 80, vivenciei na prática as expectativas para a virada de milênio dos anos 90 e saboriei a primeira década deste novo século das comunicações, da forma mais intensa que me foi permitido, com todos os momentos bons e ruins. Cometi muitos erros e aprendi muita coisa que apenas vivenciando é possível. Nasci em um 8 de maio e durante a minha caminhada destas quase cinco décadas fui amparado por muitas mãos amigas que me ajudaram a identificar as qualidades pessoais que tenho e que podem ser de grande ajuda, se colocadas, adequadamente, à disposição da sociedade onde estou inserido. Como um - orgulhoso - professor do Senai do Distrito Federal, que trabalha com tecnologia desde os anos 80, tive a oportunidade e a felicidade de conviver com muita gente diferente. Aprendi que a mais fantástica das tecnologias pode realmente deixar um homem sem palavras e o avanço tecnológico que estamos vivendo pode nos transportar ao futuro que desejarmos. Mas aprendi, acima de tudo, que nada é mais fantástico do que a pessoa humana vivendo em harmonia, ou quase, com seus semelhantes e com todos os recursos naturais que esta morada chamada terra nos proporciona. Aprendi que um simples abraço, em doses diárias, tem mais efeito do que qualquer outro remédio para os males da alma e um sorriso sincero, acompanhado da frase certa, pode iluminar um coração mil vezes mais que toda a energia de que achamos dispor para tal.
O ser humano não pode ser tratado como um acessório. A vida humana não é descartável e as ações que praticamos aos nossos semelhantes e ao mundo se transformarão em reação de igual grandeza. O trágico evento que tivemos recentemente em uma escola de ensino fundamental no Rio de Janeiro é um sinal de alerta. Um sinal de que talvez a sociedade esteja mesmo doente e que é chegada a hora de refletir profundamente sobre o tipo de futuro que desejamos para nós e para os que amamos. É impossível cuidar apenas dos que estão próximos, porque do meio daqueles que não estão tão próximos pode sair o nosso algoz. O respeito à família, a consideração pelo próximo e o seguimento da ética e moral que devem reger os relacionamentos talvez seja a única forma de evitar as tragédias maiores que parecem avizinhar-se. 
Toda tragédia tem um lado que, ironicamente, pode ser visto como positivo: somos puxados de volta aos nossos lugares, a realidade se apresenta sem máscaras e a reflexão profunda, dolorosa e transformadora toma conta de nossas almas e corações. Nas tragédias lembramos que somos filhos de um Pai que nos deseja evoluindo até a pefeição e que nossos desejos carnais e paixões desenfreadas são algumas das causas primárias das mesmas tragédias que nos trazém à reflexão.
Temos a impressão clara de que um pouco de ambição e desejo de melhoria pessoal não faz a ninguém, mas colocar isso a frente do amor que devemos ter por nossos semelhantes é o pior de todos os nossos pecados capitais.
Ainda vamos ter de refletir muito sobre tudo isso...

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