sábado, 3 de maio de 2014

Os anos vão desfilando aos nossos olhos e ajudam-nos a enxergar melhor

O TEMPO E AS JABUTICABAS

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver 
daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquela 
menina que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ela 
chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados.
Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir
quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos.
Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos
para reverter a miséria do mundo. Não quero que me convidem
para eventos de um fim de semana com a proposta de abalar o milênio.
Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas, procedimentos e regimentos internos.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas,
que apesar da idade cronológica, são imaturos.
Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões
de 'confrontação', onde 'tiramos fatos a limpo'.
Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral.
Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: 'as pessoas
não debatem conteúdos, apenas os rótulos'.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a
essência, minha alma tem pressa...
Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente
humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não
foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados,
e deseja tão somente andar ao lado do que é justo.
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse
amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo.'
O essencial faz a vida valer a pena.

Rubem Alves

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Atribulações do trabalhador no séc XXI

Refletindo sobre a vida atribulada do século XXI neste dia do trabalhador,  reli um trecho da Bíblia e a resposta às minhas reflexões veio de forma surpreendente.

Os ciclos enfadonhos da vida

Palavras do sábio, filho de Davi, rei em Jerusalém. Diz o sábio: Que grande ilusão! Que grande ilusão! Tudo é ilusão! Que vantagem tem o homem em todo o seu trabalho, em que tanto se esforça debaixo do sol? Gerações vêm, gerações vão, mas a terra permanece a mesma. O sol nasce, o sol se põe e se apressa em voltar ao lugar de onde nasce novamente. O vento sopra para o sul, depois vira para o norte; dá voltas e mais voltas e acaba no seu ponto de partida. Todos os rios vão para o mar, e mesmo assim o mar nunca se enche; ainda que sempre corram para lá, tornam a correr para lá. Todas as coisas resultam em canseira; ninguém consegue explicá-las. Os olhos não se cansam de ver, nem os ouvidos de ouvir. O que foi será, e o que se fez, se fará novamente; não há nada novo debaixo do sol. Será que existe alguma coisa da qual se possa dizer: Vê! Isto é novo? Não! Já existiu em épocas anteriores à nossa. Já não há lembrança das gerações passadas; nem haverá lembrança das gerações futuras entre os que virão depois delas. Eu, o sábio, fui rei sobre Israel em Jerusalém. Dediquei o coração a examinar e investigar com sabedoria tudo o que se faz debaixo do céu. Que tarefa pesada é esta que Deus atribuiu aos homens! Observei tudo o que se faz debaixo do sol; tudo é ilusão, é perseguir o vento! Não se pode endireitar o que é torto; não se pode contar o que falta. Então pensei comigo mesmo: Tornei-me um homem próspero, cuja sabedoria é maior do que a dos que governaram Jerusalém antes de mim; realmente acumulei muita sabedoria e conhecimento. Por isso, dediquei o coração a compreender a sabedoria e o conhecimento, mas aprendi que isso também é perseguir o vento. Porque em muita sabedoria há também muita frustração; quanto maior o conhecimento, maior é a tristeza.

Celular em Sala de Aula

Celulares podem se tornar grandes aliados na educação do século XXI Tecnologias Móveis em Sala de Aula