quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Compreenda como funcionam as contas do Governo. O momento exige essa compreensão!

G1 EXPLICA O SUPERÁVIT PRIMÁRIO

Estamos em 05 de dezembro de 2014

Fonte: http://g1.globo.com/economia/superavit-o-que-e/platb/
Acesse o link e siga os cinco passos da demonstração.



Para explicar como funcionam as contas do governo, o G1 traça uma comparação com o orçamento e os gastos de um brasileiro


José


José, 42 anos, é casado e tem dois filhos. Contador, ele mora em uma casa alugada, paga prestação do carro e tem uma empregada para ajudar no trabalho doméstico

Governo


O governo, com 192 anos de independência, arrecadou mais de R$ 1 trilhão em 2013, mas fechou o ano com dívida de mais de R$ 2 trilhões
José recebe seu salário em dia, uma vez por mês
No caso do governo, esse salário é a sua arrecadação, que vem dos impostos e outras receitas, como privatizações

José tem despesas com o aluguel da casa, o supermercado, a empregada e a escola do filho, por exemplo

As despesas são com os funcionários públicos, educação, saúde e previdência, entre outras
Se José consegue, com o salário que recebe todo mês, pagar suas despesas daquele período (exceto dívidas) e ainda sobra um pouco, significa que houvesuperávit primário
No caso do governo, se o resultado do que ele arrecadou com impostos, menos suas despesas principais, com educação, por exemplo, der positivo, significa que houvesuperávit primário

A consequência disso para o José é que ele terá uma imagem de bom pagador no mercado, já que suas contas mostram equilíbrio, e conseguirá obter empréstimos e fazer compras a prazo, por exemplo

Para o mercado financeiro internacional, manter as contas públicas em ordem indica que o país tem capacidade de pagar o que deve, ou seja, tem menos risco de crédito e, portanto, poderá ser um bom destino para capitais internacionais. Sua dívida é confiável
Se José teve despesas extras e acabou gastando mais do que recebeu no mês, significa que houvedéficit primário
No caso do governo, se gastar mais do que arrecadou, também será registrado déficit primário

José também tem um empréstimo no banco que tomou para financiar a compra de um carro

No caso do setor público, quando precisa de dinheiro para financiar seus gastos, porque a arrecadação não foi suficiente, ele costuma emitir títulos públicos que são vendidos no mercado – são os empréstimos que o governo ‘pega’ no mercado
Se no final do mês, José, cujas contas tiveram superávit primário, pagou suas despesas fixas e, com o dinheiro que sobrou, pagou os juros e mais uma parte do seu empréstimo, significa que houvesuperávit nominal. Ou seja, o montante total do que deve para o banco diminuiu
Superávit nominal é quando o governo faz superávit primário, paga os juros da dívida e ainda tem um resultado positivo, uma “sobra”, que é usada para reduzir sua dívida pública, ou como chamam os economistas, o “estoque” de sua dívida

Se sobra dinheiro, José consegue fazer planos para, por exemplo, investir na troca da sua geladeira e do seu fogão no próximo mês

No caso do governo, será possível gastar mais em áreas que precisem de investimento ou reduzir impostos para dar mais competitividade à economia sem desequilibrar as contas
Se José pagou suas contas em dia, mas teve um superávit primário pequeno e, por isso, só conseguiu pagar apenas parte dos juros do seu empréstimo com o banco, sem chance de quitar um tanto da sua dívida, significa que: houvedéficit nominal
No caso do governo brasileiro, há um déficithistórico, porque seu superávit primário, quando comparado com o PIB (soma das riquezas do país), é baixo e os juros, que corrigem o valor da sua dívida, são altos. Por isso, o governo não consegue pagar todo o juro, muito menos abater o valor de sua dívida
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SUPERÁVIT: HISTÓRIA E IMPORTÂNCIA

Cumprimento de metas mostra que país é ‘bom pagador’


  • O ministro da Fazenda, Pedro Malan [à esq.], e o presidente do Banco Central, Gustavo Franco durante comemoração do aniversário de 4 anos do Real, no Centro de Treinamento do Banco do Brasil.

    década de 1990

    No final da década de 1990, o Brasil estava muito endividado.

    Em 1998, o governo fez um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Mundial e BIS (‘Banco Central dos Bancos Centrais’), por uma ajuda de perto de US$ 41 bilhões, mas teve que se comprometer com uma série de exigências, como compromissos com estabilidade econômica e reformas da Previdência e fiscal.

  • Fernando Henrique Cardoso sobe a rampa do Congresso Nacional, em Brasília (DF), durante a cerimônia de posse para o seu segundo mandato como presidente da República, em 1º de janeiro de 1999.

    1999

    Em 1999, o governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso implantou a meta de superávit primário.

    Para 1999, foi estabelecida meta de superávit primário de 3,1% do PIB.

    Quanto menor a dívida em relação ao PIB, mais o país mostra que é um “bom pagador” – e portanto é maior a chance de conseguir taxas de juros mais baixas quando tiver que pedir dinheiro emprestado.

  • Da esquerda para a direita: o governador de Santa Catarina, Esperidião Amin, a governadora do Maranhão, Roseana Sarney, o ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente, o presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, o secretário da presidência, Aloysio Nunes, o governador do Paraná, Jaime Lerner, e o governador de Goiás, Marconi Perillo, vistos durante reunião com governadores para tratar sobre a Lei da Responsabilidade Fiscal, no Palácio do Planalto em Brasília, Distrito Federal.

    década de 2000

    A Lei de Responsabilidade Fiscal sancionada em 2000, por FHC, também foi um mecanismo para ajudar no cumprimento das metas de superávit.

    O objetivo da lei era estabelecer uma espécie de “freio” nos gastos excessivos de prefeituras, de governos estaduais e da União.

    A lei determinava que o presidente, governadores e prefeitos não gastassem mais do que arrecadassem nem deixassem dívidas para o mandato seguinte.

    A intenção era melhorar a administração das contas públicas.

  • O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, concede entrevista coletiva no Palácio do Itamaraty, em Brasília.

    2009

    Em 2009, no mandato do então presidente Lula, foi sancionada a Lei de Transparência, que só começou a valer em 2010.

    Por meio dessa lei, estados e municípios com mais de 100 mil habitantes devem disponibilizar suas informações na internet.

  • O prefeito de Cascavel, no oeste do Paraná, Edgar Bueno (PDT), anuncia um corte de gastos para conter um rombo nas contas da administração municipal

    2013

    No início de 2013, por exemplo, o prefeito de uma cidade no interior do Paraná anunciou um corte de gastos para conter um rombo nas contas da administração municipal.

    As medidas adotadas incluíram a redução do seu próprio salário.
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EVOLUÇÃO DAS CONTAS PÚBLICAS

Veja o resultado do superávit primário do Brasil ano a ano e sua proporção em relação ao PIB

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MANOBRAS CONTÁBEIS

Com os gastos em alta, o governo usa artifícios – todos legais – para atingir a meta de superávit

2009

R$ 8,9

bilhões

DEPÓSITOS JUDICIAIS

A União considerou na conta R$ 8,9 bilhões recebidos a mais em depósitos judiciais antigos

R$ 3,5

bilhões

BNDES

Outros R$ 3,5 bilhões vieram do BNDES, que comprou da União dividendos que ela teria direito a receber da Petrobras

2010

R$ 31,9

bilhões

PETROBRAS

Em uma operação que envolveu a injeção de recursos na Petrobras em troca de pagamento pela cessão onerosa de barris de petróleo a que a União teria direito, o governo ficou com uma "sobra" de R$ 31,9 bilhões para o superávit primário

2012

R$ 12,6

bilhões

BNDES

O BNDES foi autorizado a comprar ações da Petrobras que faziam parte das aplicações do Fundo Soberano. Essas ações foram repassadas ao Tesouro Nacional, que se desfez deles por R$ 8,84 bilhões – dinheiro que engordou o superávit. Junto com outras operações parecidas, a manobra rendeu R$ 12,6 bilhões

R$ 7

bilhões

BNDES

A Caixa Econômica Federal e o BNDES pagaram dividendos (parte do lucro que é distribuída aos acionistas), em valor, somado, de R$ 7 bilhões. Mas o BNDES continuou recebendo empréstimos do Tesouro Nacional

2013

R$ 22

bilhões

REFIS

Foi reaberto o prazo do Refis, programa de parcelamento de dívidas das empresas com o governo, que rendeu quase R$ 22 bilhões aos cofres públicos. A medida foi feita contra a vontade da Receita Federal

R$ 22

bilhões

CONCESSÕES

O governo também contou com os valores recebidos pelas concessões, principalmente do Campo de Libra, que somaram pelo menos R$ 22 bilhões
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SUPERÁVIT DOS PAÍSES

Veja o resultado do superávit de paises pelo mundo, em relação ao PIB (em %)

Texto: Anay Cury e Alexandro Martello
Fontes: Felipe Salto, da Tendências Consultoria; Carlos Stempniewski, da Faculdades Rio Branco, Gabriel Leal de Barros, da FGV, e
Rodrigo Zeidan, da Fundação Dom Cabral
Edição: Laura Naime (Conteúdo) e Leo Aragão (Arte)
Infografia: Daniel Roda, Dalton Soares e Elvis Martuchelli
Desenvolvedores: Thiago Bittencourt e Rogério Banquieri



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